Artigo públicado na Zero Hora de 13 de setembro de 2009 - Coluna de Celia Ribeiro
Certa vez, num teatro londrino, um famoso ator de musicais cantava à frente do palco, baixinho, enquanto dois espectadores cochichavam na plateia. Ele não teve dúvidas, interrompeu a performance e, olhando para o camarote de onde vinham os sussuros, disparou:
- Parem, por favor. Basta um tolo de cada vez, me respeitem.
O episódio é lembrado em um livro editado em Londres em 1876. Sem a reação bem-humorada do ator desrespeitado, esse tipo de interrupção tem se repetido com frequência nos dias de hoje, motivada também pelos celulares.
A inquietude de um espectador inferniza quem senta atrás, resultado muitas vezes do efetito cascata, do desconforto pela postura de quem está sua frente. Não é raro que a má disposição das poltronas seja a causa disso. O correto é que a cadeira de trás fique entre as duas da frente, para não prejudicar a visibilidade do palco e causar torcicolo.
A presença de legendas traduzidas - como em Quartett, uma das mais aguardadas atrações do 16° Em Cena - exige ainda melhor postura, pois a tendência é a gente se recostar na poltrona, para ler com mais conforto as traduções, acima da boca de cena.
Cada espectador tem direito a apoiar o cotovelo em um braço da poltrona. E se estiver entre vizinhos poderosos? Há condições de apoio do pulso ou do cotovelo, sem invação de privacidade. Cabe ter compreensão de não se apossar de todo o braço da cadeira.
Há silêncios no palco, pausas realçando a dramatização, que exigem uma plateia bem educada a ponto de não cochichar nem mexer no diabólico pacotinho de balas, tentando não sentir a catarse, o nervosismo interno devido à identificação com a cena.